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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Capítulo XIV

XIV
JOHN
   A empousa pulou em mim e me cortou na bochecha com suas garras.
   - Finalmente, alguma comida! Kelli não me deixou voltar ao mundo humano, quem se importa? - E virou-se para mim. - Você me parece ser um ótimo jantar.
   Eu não achava minha adaga. Deveria estar em meu cinto, mas não estava. Então, golpeei-a no olho, um golpe perfeito. A empousa uivou de dor e raiva.
   - Ai! Você está abusando de minha boa vontade! - Ela estava prestes a me atacar de novo, mas parou, com os olhos verdes arregalados.
   Pareceu como se ela nunca tivesse existido. Ela explodiu em pó amarelo, e atrás dela estava a Carolya com sua espata.
   - Como você consegue?
   - O que foi? - Ela guardou a espata.
   - Esfaquear tudo sem hesitar. Não mostrar sentimentos nem na luta nem na vida real. Como é possível?
   - Sentimentos... - Ela me deu a mão para eu me levantar. - Eu não amo nem odeio ninguém. Não tenho sentimentos por ninguém. Acho que é por isso, não sei. Agora comece a pensar no que faremos e pare com tantas perguntas inúteis, precisamos sair do Tártaro rápido. Nem sabemos em que tipo de encrenca os outros se meteram.
   Ela falava como se aquele beijo nunca tivesse ocorrido. Não podia culpá-la, mas, não sei se foi pela pressão ou seja lá o que fosse possível, eu fiquei com raiva. Como assim, ela não tinha sentimentos por mim? Ela nem me amava como amigo? Aquilo realmente machucou. Pensei no quanto ela foi ingrata em sete anos de amizade. Pensei em quanto ela me dava foras na frente da galera. Isso era realmente chato.
   - PARE! - Gritei mais alto do que desejava.
   - O que foi agora? - Ela cruzou os braços e me olhou com uma expressão calma. Mas algo no fundo de seus olhos dourados estava queimando.
   - Claro que você tem sentimentos!
   - Então você não me conhece.
   Fiz uma pausa para assimilar as coisas. Ora, claro que conhecia! E muito bem! Sabia o que a matava de tristeza ou raiva. Sem pensar, arranquei o pingente de cruz de seu pescoço.
   Ela me olhou com os olhos arregalados e a boca tremendo.
   - Não te conheço? Mesmo? - Dei a ela o pingente. - Eu sei tudo sobre você.
   Ela o soltou, fazendo-o cair no chão. Continuava com os olhos arregalados, prestes a chorar, mas não o fez. Em vez disso, deu meia-volta e andou devagar à uma direção qualquer.
   - Sua primeira missão de verdade está te deixando louco - Ela parou antes de sumir na escuridão. - E eu que pensei que éramos amigos.
  Então, ela saiu correndo e desapareceu. Não a segui, estava atônito demais.
   Peguei o pingente no chão e comecei a chorar. E reparei o quanto fui burro naquele dia.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Capítulo XIII

XIII
CAROLYA
   - Acorda, Lya... - A voz preocupada de John invadiu minha mente.
   Eu adoraria abrir os olhos, mas quando tentei, uma dor enorme invadiu meu corpo. Pelo menos eu podia mover os dedos, mas cada milímetro do meu corpo doía. O pior é que eu não sentia nenhum toque.
   - Ainda bem que está viva - Ouvi o suspiro do alívio do John.
   Consegui pelo menos falar algo.
   - Onde... estamos?
   - Nós dois desmaiamos durante a queda. Quando te encontrei, você estava em uma poça de sangue, caída em uma praia de cacos de vidro. Tenho certeza que estamos no Mundo Inferior, não dá nem para ver o céu.
   Forcei-me a abrir os olhos. Vi um céu escarlate com nuvens negras. Nenhum sol nem lua a vista.
   Logo depois, pude reconhecer os cabelos dourados de John. Senti raiva na hora.
   - Foi culpa sua - Murmurei, olhando para minha mão ensanguentada.
   - O quê?!
   - Eu não te disse para me beijar! Nós nos dispersamos e não fomos com os outros! Você sabe que eu quero você apenas como amigo... - Falei a última frase com certa incerteza.
   - Carolya Mackler Di La Wich - Ele se levantou. - Estamos praticamente mortos, nossos amigos sumiram e eu tenho que te aturar jogando a culpa em mim? Tudo bem, eu até entendo que você me queira apenas como amigo, mas não é justo me tratar como um lixo.
   Meu último sobrenome ecoou em minha mente. Ele era o único que sabia de meu nome todo. Minha mãe, não sei o porquê disso, mas me registrou com o mesmo nome dela. Quando eu não sabia que era semideusa, pensava que era o nome de casada de minha mãe: Anne Mackler Di La Wich. Mas era o nome todo dela, que ela decidiu colocar em mim.
   Doeu muito para me mover, mas fiz isso rápido e o abracei. Eu não era tão fã de abraços, mas faria aquele sacrifício.
   - Me desculpe, John. Eu estava apenas blefando. Olha, precisamos um do outro para sobreviver!
   - Tem razão, Lya... - Ele retribuiu o abraço.
   Uma imensa dor invadiu meu corpo novamente, mas não era a mesma dor. Levei as mãos ao peito.
   - John, me ajude.
   - Com o quê? 
   Não respondi e tirei a camisa rasgara e sangrenta do acampamento. John virou a cabeça para o lado, o que eu consideraria cavalheiro, se me importasse. Seis anos de amizade e questão de vida ou morte. Para quê ter vergonha besta?
   - Olha e veja se está alguma coisa de anormal.
   - Quer que eu olhe para você com top de ginástica?
   - Cale a boca.
   Ele logo se focou em meu corpo, e ficou pálido.
   - Lya... Está verde...
   - Pegue ambrosia, rápido! - A dor aumentava. Eu sempre senti uma dorzinha, desde aquele incidente, mas agora não merecia diminutivos.
   John tirou da minha mochila um pedaço amassado de ambrosia. Com cuidado, colocou em minha boca.
   Senti o gosto de Coca-Cola com Mentos que eu e o John "roubamos". Subimos em uma árvore e experimentamos. Foi nosso primeiro "encontro", quando eu tinha 12 anos e ele 13. Isso me confortou, mas, como previsto, a dor não melhorou tanto.
   - O veneno... - Murmurei, apertando ainda mais a mão contra meu peito.
   - Carolya, o que está acontecendo?!
   A verdade era que, quando eu tinha sete anos, alguns minutos antes de ser descoberta por um sátiro, estava acampando na rua quando me ocorreu o pressentimento de que alguém estava me seguindo. Virei para trás e vi uma idosa olhando freneticamente para mim. Ela estava com uma faca na mão. Seus olhos, como nunca irei esquecer, eram vermelhos. Ela me olhava e sorria com seus poucos dentes. Falei "olá", um tanto insegura, e ela pulou em cima de mim e fez um corte em meu braço. Eu me rebatia, socando-a em vão, o que a fazia ficar mais irritada. A mulher mostrou sua forma anormal, com garras e presas típicas. Quando consegui virar sua própria faca contra ela, ela me arranhou no peito com as garras cheias de veneno. Gritei e a esfaqueei, que se transformou em pó prateado no mesmo instante. Desde então, através dos anos, sinto uma dor, cada ano mais forte. Quíron me disse que isso era perigoso e que algum dia, iria me matar. "Mas o veneno, com certeza, matará".
   Contei tudo ao John, que reagiu com uma expressão de medo.
   - Isso não vai acontecer, Lya. - Ele tentou me relaxar, embora estivesse nervoso. - Eu não vou deixar isso acontecer.
   Ele virou novamente a cabeça para o lado, corado.
   - Mas pode colocar a camisa, por favor? - Gaguejou.
   Tirei uma camisa dele de sua mochila e coloquei. 
   - Você trouxe seu armário inteiro dentro de sua mochila, isso não vai fazer diferença - Foi minha desculpa esfarrapada.
   - E você trouxe o que? Três coisas? - Ele sorriu.
   Contei mentalmente o que eu havia trazido. Espera!
   - Deuses do Olimpo! - Falei, já abrindo minha mochila preta. - A lanterna!
   Estava realmente escuro, mas, assim que eu liguei a lanterna abençoada, enxerguei tudo mil vezes melhor. 
   - Carolya, desliga isso! - John tomou a lanterna de minha mão e desligou. - Isso pode atrair monstros! Estamos no Tártaro! Que parte disso você não entendeu?
   Tarde demais. Nas sombras, apareceu uma garota morena. Não pode ser boa coisa, pensei. Uma garota normal não estaria aqui.
   E então, a garota revelou sua verdadeira forma de empousai, e eu gritei:
   - John, corra! - Mas era tarde demais. Ela se lançou contra nós em uma velocidade que eu considerei anormal, com um sorriso rasgado entre as presas enormes.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Capítulo XII

XII
KRISTEN
   Quíron me disse uma vez que o Monte Olimpo foi reconstruído por uma filha de Atena, Annabeth, na última vez que Cronos reviveu, em New York. Pensei que não era grande coisa, apenas um espaço grande com colunas gregas, mas, olhando agora, percebi que me enganei completamente.
   Quando finalmente subimos ao andar desejado, vimos o Monte Olimpo direito. Um enorme corredor com estátuas dos deuses - reconheci Ares pelo capacete de javali -, até que nos deparamos com os dois últimos: Zeus enorme com um raio na mão e Hera ao seu lado, com uma coroa e o cabelo preso, as mãos na cintura.
   Paramos em frente àquela estatua de Zeus, e logo depois ouvimos uma voz grave cheia de superioridade.
   - O que estão esperando? Venham logo!
   Obedecemos. Vi que o Brandon estava pálido, não a ponto de estar da cor de um papel, mas estava chegando lá. Seu cabelo castanho-claro estava levemente desgrenhado como sempre, e seus olhos azuis estavam radiando a medo.
   - Meu filho - disse aquela mesma voz, um pouco mais próxima. - Finalmente um de meus únicos filhos veio me visitar.
   Brandon praticamente correu até o fim do corredor, e eu e a Larissa tentamos acompanhar atrás.
   - Minha filha também veio me visitar - Um homem bronzeado de olhos verdes olhou para Larissa e sorriu, embaraçado. Eu tinha certeza que Poseidon não estava acostumado a lidar com filhas.
   Percebi que meu pai estava praticamente no trono do canto, olhando frenético para mim, porém ignorei. Ele nunca havia feito nenhuma visita à minha mãe, só o conhecia por lendas e fotos no Acampamento Meio-sangue, por que de repente começar a me importar?
   - Essa desgraça e seus dois amigos semideuses finalmente chegaram - Suspirou Atena, com uma cara de tédio, apontando para Larissa.
   Atena tinha uma aparência superior. Seus cabelos lisos cor de vinho estavam presos para trás, parecendo rios de sangue. Atrás de seus óculos discretos, seus olhos eram cinzentos como os de John, mas, ao contrário de meu amigo, exibiam arrogância e ar de superioridade. Vestia uma túnica amarela, e um colar discreto e prateado era seu único acessório.
   - E onde está meu filho? Ele deveria estar aqui com vocês.
   - Não sabemos - Larissa tomou coragem a dizer. - Me desculpe.
   - Ele e a minha filha estão em minha terra - Disse um homem de cabelos negros. 
   O homem, Hades como se deu a entender, tinha uma pele cor de caramelo e cabelos encaracolados. Seus olhos vermelhos eletrizantes combinavam com seu anel de casamento: um enorme rubi ao meio de um anel grosso e preto, sem muitos detalhes.
   - Minha filha era uma garota forte - Continuou. - Uma pena ter um fim trágico assim com um filho de Atena. - Pronunciou a última palavra com uma ponta de arrogância.
   - Não se meta comigo, deus dos mortos - Retrucou ela. - Meu filho não é nada inútil. Mas tente ajudar pelo menos sua miserável filha a se safar do seu local.
   - Se ela é minha filha mesmo, irá sobreviver, como Nico Di Angelo. Pelo menos dele eu me orgulho. Já a tal Bianca... - Falou com desprazer.
   - "A morte é a única que os quatro protegerá" - Me irritei. - Não se refere a você?
   - Nada tenho a ver com profecias de idosas, senhorita Jane - Ele relaxou mais em seu trono. - Se Carolya Mackler é minha filha mesmo, deve provar ser digna de tal. É simples: ela tem que sobreviver em minhas terras.
   Então, o próximo verso me veio à mente de repente: "Quanto ao deus, não ajudará".
   - Espero que já tenham tirado todas as suas dúvidas - Disse Zeus. Pois agora temos que executar a desgraça.
   Olhei para a Larissa, assustada. Matá-la? Isso com certeza não seria a coisa certa a se fazer.
   - Com licença - Ela cerrou os punhos. - Não me importo se vocês são superiores a mim, se podam fazer meu futuro não existir a qualquer momento, mas eu vivo em democracia e não aceito ser tratada como um animal e muito menos uma desgraça. Eu me chamo Larissa e não tinha a menor ideia que era filha de um deus até ontem de madrugada. E, para mim, eu continuo sendo uma cidadã normal de 16 anos que sonha em ser bióloga marinha. Tenho uma mãe e um padrasto ótimos. E meus novos amigos me tratam como uma pessoa normal, não como uma desgraça. Não mereço ser morta só porque sou especial.
   Eu percebi que até comoveu os deuses mais intimidadores, mas a voz arrogante de Zeus estragou o momento.
   - Pois bem. Se gosta tanto de democracia, façamos uma votação. Vamos ver no que dá.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Capítulo XI

XI
BRANDON
   O John e eu uma vez estávamos conversando sobre garotas. Ele perguntou quem eu realmente gostava no Acampamento Meio-Sangue, e eu respondi que não estava interessado em ninguém em especial. Ele, brincando, disse que eu só podia ser gay, pois o chalé de Afrodite tinha garotas mais lindas que muitas modelos, e eu revidei, falando que era melhor não amar ninguém que ter que aguentar a garota que ama o chamar de amigo. 
   Mas eu realmente pensei no assunto. Eu nunca amei ninguém de verdade sem ser minha mãe. Mas, vendo a tal de Larissa, sentia meu coração batendo forte... Quando ela olhava para mim, franzia as sobrancelhas e voltava a olhar para as três idosas dirigindo e discutindo por um olho.
   - Com licença - Kristen se debruçou no banco em sua frente. - Mas os dracmas estavam com a nossa amiga, e ela sumiu, então...
   - Querida - A terceira mulher riu. - Digamos que já fomos bem pagas pelo mestre.
   - Que mestre? - Falei.
   - E para onde estamos indo? - Perguntou a filha de Poseidon. 
   - Não podemos dizer quem é o mestre - A primeira mulher falou. 
   - E vocês iram visitar o Monte Olimpo, é claro! - A terceira acrescentou.
   Fiquei nervoso. Eu não gostava muito dos deuses, muito menos de meu pai, mas os respeitava por puro medo. Afinal, quem sabe se de repente o Minotauro não arranca o teto do táxi e engole minha cabeça? Seria com certeza um fim trágico para esse jovem filho de Zeus.
   - Que ótimo - Murmurou Kristen, ao meu lado.
   - Pelo menos você não está sozinha - Tentei consolá-la, mas era praticamente impossível.
   - Não? - Ela perguntou com raiva. - Eu não tenho nenhum dom especial: não sei invocar raios e voar como você; não sei invocar mortos e passear pelas sombras como a Carolya; não tenho nem um pouco da inteligência e estratégia do John; não sei controlar as águas como a filha de Poseidon...
   - Na verdade, eu nunca tentei - Larissa falou baixinho.- E meu nome não é "filha de Poseidon", parem com isso... É Larissa!
   - Não - Virei-ma para ela e sorri, brincalhão. - Seu nome é Srta. Asher.
   Me arrependi no mesmo instante de ter provocado ela. A garota me deu um tapa na cara bem forte.
   - E me avise se eu precisar apelar para as espadas - Falou, revoltada. 
   - Cara, qual a necessidade disso?
   - Se não me chamar de Asher, eu agradeço.
   Então, eu fiquei lá, preso  no meio de duas garotas extremamente chateadas comigo. Uma por uma coisa que eu faço e outra por uma coisa que eu disse. Eu realmente sou péssimo com as garotas.
   Paramos de repente. As três moças sem olhos sorriram.
   - Chegamos - Disse a segunda mulher. - Bem vindo ao Monte Olimpo!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Capítulo X

X

Larissa

     Depois da senhora terminar de falar, Brandon e Kristen começaram a brigar um com o outro. Brandon me deixava um pouco nervosa, ele me fazia calafrios, para falar a verdade. Eu não gostava muito da presença dele.
    -E a Lya não...- Kristen parou.-Onde está a Lya e o John?
    -Devem estar namorando.- Respondeu o Brandon
    -Deixe de brincadeira! Nem sabemos onde estamos! -Kristen começou a assumir uma expressão triste.-Eles podem ter sido levados!
    -Hã, o que é aquilo?- Apontei para o outro lado, onde vinha algo rápido, que ficava dando zig-zags.
    Os dois levaram um susto.
    -Acho que eles estão vindo na nossa dire...-Brandon me puxou para o lado, e logo em seguida, nós vimos que onde a gente estava, agora havia um carro enferrujado, com uma placa escrito Táxi e uma mulher olhando- ela estava sem olhos? -para mim.
    -Ah, então era de você que estavam falando?
    -Er.. Você me conhece? - Perguntei.
    A porta traseira se abriu, e Kristen entrou, Brandon entrou logo em seguida.
    -Entra aqui, Srt. Asher!- Brandon apontou para um lugar ao seu lado
    -Não me chame de Asher!- Eu bati o pé, fingindo que não ia, e cruzei os braços. O barulho do motor ficou mais alto e a porta começou a se fechar. Não tive jeito a não ser ir.- Esperem! Já vou!
    Quando entrei, me deparei com três senhoras, elas se viraram para nós, na qual me fez levar um susto. Apenas uma tinha um olho, não era os dois. Era um! 
(Postado por: Ana Pattricia)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Capítulo IX

IX
JOHN

   Quando aquela senhora (não lembrava o nome, acho que era Elizabeth) parou de recitar profecias estranhas, ela voltou ao normal e sorriu.
   - É melhor vocês irem. Sei mais do que pensam. - Falou. - E é melhor procurarem sua amiga.
   Olhei ao redor. Só estava faltando uma pessoa...
   Saí correndo em direção ao ponto que chegamos e lá estava ela, na ponta do morro, olhando para baixo e com as mãos sobre o pingente de cruz.
   Me aproximei com cuidado e a abracei, então vi que ela estava chorando. 
   Carolya nunca havia chorado. Pelo menos, nunca na frente de ninguém. Desde criança, ela era acostumada a sofrer e não demonstrar, por isso ficou tão séria: ela sofreu muito. 
   - Não chore, Lya... Por favor... - Eu a abracei mais forte.
   Seus soluços baixos se transformaram em grandes soluços, e eu limpei suas lágrimas com meu polegar.
   - Lya, pare de chorar. Eu sei que está com medo, mas supere. Você é tão forte, já cortou diversas cabeças diferentes... Essa é sua primeira missão séria, mas mesmo assim, se controle. Você vai conseguir. Eu já a vi matando três górgonas com um golpe. Eu já a vi lutando contra um monstro, tipo, duas vezes maior que eu, e você sem arma nenhuma. Não chore por besteiras, querida... Você é uma guerreira, não é?
   - Não sou mais uma guerreira. - Ela retribuiu meu abraço. - Não sou mais uma guerreira se não consigo nem evitar o veneno. O veneno... - Ela se interrompeu por soluços.
   - Por favor, cale essa boca. - Murmurei. Ela me olhou assustada, mas logo ficou séria de novo.
   - Quem é você para falar assim?
   Não falei nada. Curvei minha coluna e a beijei.
   
Nós caíamos rápido, ainda abraçados, mas a pressão do ar fazia meus ossos doerem. Por algum motivo, o chão do morro em que estávamos desapareceu, e eu só vi a casinha se desfazendo com meus amigos dentro. Sério, entre morar na rua e morar e um lugar que se dissolvia, eu ficaria com a primeira opção. O que deu nessa Elizabeth, para ela morar em um lugar tão distante e deserta? Acho que ela ficou doida por causa dessas profecias, mas sinceramente não sei.
   - O que aconteceu?! - Gritei por causa do vento.
   Lya parecia tonta, não respondeu. Ela desmaiou em meus braços. Eu acho que era alucinação minha, mas ela estava inconsciente e com um meio-sorriso na boca. Um record. 
   O sangue zumbia em meu ouvido. Eu estava tonto, com vontade enorme de desmaiar, e segurar Carolya não ajudava. Perguntei-me se meus amigos estavam bem. Eu esperava que sim, mas pensava no pior: e se eles tivessem ido para outro lado do país, onde iriam aprender a pintar arte moderna com Elizabeth? Será que teriam ido para o Tártaro com ela? 
   Se acalme,  ouvi uma voz distante e masculina em minha cabeça. Eu coloquei seus adoráveis amigos em um transporte bom para continuarem a missão.
(Postado por: Iara Bonini D'almeida)
   
   

Capítulo VIII

VIII
CAROLYA


   - Onde estamos? - Murmurou Larissa, que agora estava colada em meu braço.
   Sim, o local não era tão divertido para um passeio. Estávamos na ponta de uma montanha muito alta, só não completamente deserta por causa de uma pequena casa de madeira no meio. 
   A vista de baixo também não era muito boa. Eu nunca tive medo de altura, mas aquela vista dava calafrios a qualquer um. Dava para ver Nova York inteira mas, se alguém por acaso caísse de lá, iria parar justamente naquele buraco negro logo ali embaixo. E, quando ficávamos observando sem respirar, Manhattan se transformava em uma cidade de zumbis. Se piscássemos, tudo voltava ao normal.
   Provavelmente, Larissa deve ter percebido isso, então apertou meu braço com força. Ela não era tão forte assim, mas mesmo assim repeli o gesto apavorado.
   - Fiquem longe desse local. - Falei, indo em direção à casinha. - Vamos entrar.

Toquei a campainha. Nada. Toquei de novo e ouvi passos pesados.
   Foi ela mesma que atendeu.
   -Carol! Como você cresceu, querida... - Ela abriu os braços, e fui forçada a retribuir o abraço daquela senhora. - Está com quantos anos?
   - Vou fazer dezoito. - Respondi. - Prazer te ver novamente, Rachel Elizabeth Dare.
   A velha senhora tinha os cabelos ondulados e grisalhos, e os olhos verdes brilhantes. Um dia ela já fora ruiva, de um tom de cabelo tão bonito quanto o da Kristen. Ela tinha sardas e coluna levemente curvada, mas continuava bonita para uma pessoa de setenta anos.
   - Viemos te pedir uma coisa - Fiquei um pouco envergonhada. Eu não a via há mais de cinco anos e, quando voltada, era só para pedir informação? Eu era uma pessoa horrível mesmo.
   - Ah, sim - Ela olhou para o restante do grupo como se tivesse reparado neles agora. - Entrem, entrem.

A casa dela era cheia de arte moderna, como - segundo ela - ela amava desde criança. Suas cadeiras e sofás eram o mais confortáveis possíveis.
   Rachel colocou os óculos estilo "gato" e passou a olhar para todos com clareza.
   - Diga, Carol. O que veio fazer aqui?
   - Não sabemos muito bem do que irá acontecer agora, mas precisamos de sua ajuda para encontrar Atena e terminar nossa missão.
   John, que estava do meu lado, me cutucou como se dissesse "claro que não vai ser tão simples assim", mas eu ignorei.
   - Claro. Faço tudo por minha sobrinha... - Ela abriu os braços em um gesto ameaçador, fechou os olhos, e eu respirei fundo.
   - Larissa. - Eu disse. - O que quer que ela faça, mantenha calma. 
   - Mas o que... - Ela nem pôde me responder, pois aquela senhora abriu os olhos. Os olhos agora dourados.
   Saiu fumaça verde da boca da velha senhora. Ela pareceu estar olhando para mim, e sua fumaça cobria meu corpo. Então, em uma voz anormal, ela falou sem mexer a boca:
   "Esse futuro tem reviravoltas demais para falar,
   No reino de seu parente, a criança de Hades se perderá,
   A água sagrada poderá tomar,
   Pois só uma alma pura tomará.
   Seguindo a luz, achará o caminho de volta,
   Mas o veneno, com certeza, matará."
   Ela deu uma pequena pausa, olhou para Kristen, a fumaça cobrindo o corpo da filha de Ares. Logo continuou:
   "Descerás em busca de uma amiga perdida,
   Um exército atrás de você em seguida,
   Para se salvar, mergulharás na água proibida,
   Se tornando uma corajosa e admirável esquecida."
   Logo quando acabou, foi em direção a Larissa. 
   Oh, não. Não, não, não, não, não.
   Rachel segurou com força os braços da menina, que gritou de dor e medo.
   ""Sua santa vive solitária
Nesse combate, revive
Em seguida, vida diária
Você estará livre.
Uma moradia á sua frente,

Seguindo lentamente."

(Postado por: Iara Bonini D'almeida)